CLEÓPATRA, COM LIZ TAYLOR

Elizabeth (Liz) Taylor - CleópatraO filme Cleópatra, com Elizabeth (“Liz”) Taylor no papel principal, feito há algumas décadas, ajudou a firmar a carreira da atriz. Porém teve também um efeito nefasto: também ajudou a consolidar no imaginário popular a ideia de que Cleópatra era uma mulher bonita (além da versão de que se matou com uma picada de serpente) – os fatos históricos não apoiam esta conclusão.(Está para ser lançado um novo filme chamado novamente Cleópatra que deve piorar esta situação, pois agora a atriz principal será a não menos bela Angelina Jolie.)

Apesar disto, é um grande filme – em todos os sentidos, pois tem mais de quatro horas de duração. Mas são horas que passam tranquilamente, pois foi uma super-produção.

Há erros históricos? Alguns, sim. Um exemplo: Cleópatra, no filme, não tem filhos com Marco Antônio – e foram três, na vida real! Mas não compensa envereda por este tipo de crítica. É um filme, afinal, não um livro de História. Um filme caro e que precisava reverter os custos em bilheteria. Mesmo com quatro horas de duração, é preciso dar um certo dinamismo, omitir certos detalhes e florear em outras partes. A história de Cleópatra poderia ser contada em duas horas apenas? Claro. Talvez em até menos tempo. Quanto menos tempo, entretanto, menor a possibilidade de dar profundidade aos personagens. Eis o que ganhamos com tão prolongado filme: uma Cleópatra palpável, possível. E, a partir daí, indissociável do rosto de Liz Taylor.

Mas é um filme. Não deve ser utilizado como fonte primária de estudos e sim, como ilustração. Não se perdendo isto de vista, é um filmão…

Ficha técnica e curiosidades de Cleópatra

Cleópatra foi lançado em 1963. A direção do filme foi de Joseph L. Manckiewicz, amigo de Liz Taylor (Alfred Hitchcock havia sido convidado antes, mas se recusou). O filme demorou anos para ser concluído (entre outros motivos, porque Liz adoeceu durante as filmagens) e foi extremamente caro, quase falindo a produtora – um exemplo dos exageros: pela primeira vez no cinema, alguém (Liz Taylor, que havia ganho um Oscar em 1960) recebeu 1 milhão de dólares de cachê. Ao chegar aos cinemas, mesmo editado (tinha inacreditáveis seis horas!), o filme não se pagou, gerando enorme prejuízo.

Durante as filmagens, Liz Taylor engatou um romance bastante conturbado, movido a álcool dos dois lados, com Richard Burton (que fazia o papel de Marco Antônio). Ambos eram casados – e a Igreja declarou que Liz Taylor era imoral. O diretor enviou um bilhete à companhia de cinema: “Liz e Burton não estão apenas interpretando Cleópatra e Marco Antônio!” Brigas entre os dois (e entre cada um com seu cônjuge) atrasavam ainda mais as gravações e aumentavam os custos da produção – quando se reconciliavam, às vezes desapareciam também…

Richard Burton, se não seria o primeiro casamento de Liz Taylor, tampouco seria o último – no total, seriam oito. Aliás, com o próprio Burton, Liz se casaria mais uma vez, em 1975, em uma cabana em Botsuana.

Talvez Cleópatra seria a intérprete ideal para um filme que retratasse a vida de Liz Taylor. É completamente compreensível como a imagem das duas ficou tão atrelada.

*

Bibliografia:
> As épicas loucuras de Liz, Veja na História, simulação de edição de outubro de 1962 (disponível aqui).
> A estrela ardente, revista Veja, edição 2210, 30 de março de 2011.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*