CONFLITOS NO EGITO

Hosni Mubarak como HitlerOs movimentos populares contra as ditaduras do norte da África e do Oriente Médio começaram no final de 2010, na Tunísia. O Egito logo se viu envolvido – desde 25 de janeiro de 2011, a população tomou a praça Tahrir, no Cairo, chegando-se a reunir 1 milhão de pessoas, e alguns dias depois, em 11 de fevereiro, o presidente Hosni Mubarak (na imagem ao lado, comparado a Hitler) renunciou.

Neste período, houve confronto armado e cerca de 850 pessoas morreram.

Os protestos, no Egito, foram liderados por jovens de classe média, conectados entre si por redes sociais da internet. Entretanto, quem assumiu o poder foi uma junta militar que, naquele momento, se colocou ao lado da população – e vice-versa.

Há ao menos quatro partes interessadas no destino do Egito: os que ocupavam o poder, os que agora o ocupam, os manifestantes e os muçulmanos fundamentalistas, que se aproveitaram da instabilidade para levantar sua agenda: um estado islâmico.

Os militares prometeram, logo ao assumirem o comando do Egito, organizar eleições democráticas. Estas têm sido proteladas, e não há data marcada.

Assim, o povo volta com frequência à Praça Tahrir (outras cidades do Egito, como Alexandria, também têm registrado protestos). Dizem, agora: “Trocamos 1 Mubarak por 18 Mubaraks”, em referência ao número de dirigentes do conselho militar.

Os bancos suíços prometeram congelar os bens de Mubarak. Estima-se que ele tenha desviado cerca de 40 bilhões de dólares de dinheiro público. Mubarak, com 82 anos, está doente (câncer)- e seu futuro legal é incerto.

Os islâmicos colocaram uma bomba em uma igreja copta (cristã) em Alexandria e mataram várias pessoas… Além disto, estão mais alinhados com os militares que os principais manifestantes e organizam “antimanifestações”, onde defendem uma transição estável.

Há, por fim, grupos menos expressivos, mas ainda assim altivos, em busca de maior participação no novo Egito. Como grupo feministas, que pedem que a Constituição dê às mulheres direitos iguais aos dos homens.

Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana é o grupo religioso mais influente no Egito. Foi criada em 1928 e seu fundador dizia: “O Islã deve impor sua lei sobre todas as nações e estender seu poder sobre o mundo.”

QaradawyAtualmente, um grande líder da Irmandade Muçulmana é Yusuf al Qaradawy (foto ao lado), apresentador de televisão, escritor e autor de artigos no site Islan Online (visitar site). Qaradawy vivia no catar até a queda de Mubarak, pois durante o governo deste a Irmandade Muçulmana chegou a ser proibida de atuar. Qaradawy voltou agora ao Egito, onde seu programa Sharia e Vida tinha 40 milhões de espectadores.

A Irmandade Muçulmana conta com grande simpatia do povo egípcio que, em quase totalidade, é muçulmano. Segundo pesquisa recente, 84% dos egípcios defendem a pena de morte para quem abandonar o islamismo; 82% apoiam o apedrejamento de adúlteros; 77% são a favor de que se corte a mão de ladrões.

Assim, é possível que a democracia no Egito leve à instauração de um Estado que, se não oficialmente islâmico, os seus líderes sejam. Mesmo que renovados temporariamente…

O partido da Irmandade Muçulmana, chamado Liberdade e Justiça, espera conseguir ocupar metade das vagas em eleições parlamentares, quando estas ocorrerem no Egito.

Neste cenário, as relações do Egito com Israel, por exemplo, ficariam muito tensas. As relações com o Irã, por outro lado, poderiam ficar mais amenas (já estão, no momento) – o que, em contrapartida, aumentaria causaria indisposição com o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos…

Os que saudaram as manifestações no Egito e em outros países árabes não enxergam que, às vezes, democracia não é sinônimo de paz.

Fontes: revista Veja, edições 2203 (09/02/11), 2204 (16/12/11) e 2206 (02/03/11).

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