Antigo Egito. Período que, para os livros de História, vai de cerca de 3100 a. C. até o ano 30 a.C. Mais de um milhão e cem mil dias, portanto. Quase explicado está o título de nosso trabalho.
Entretanto, não nos prenderemos apenas a este período, embora o foco do texto seja mesmo o Antigo Egito. Mais brevemente recuaremos ao que antecedeu o nascimento desta civilização e também nos estenderemos do seu fim até os dias de hoje.
Um milhão de dias. É muito tempo! O título quer reforçar isto porque saímos da escola com a impressão que a História egípcia, apesar de longa – três mil anos -, é um pouco monótona: faraó sucedia faraó no comando de um povo que passava seus dias a construir pirâmides e desenhar hieróglifos. Um milhão de dias: é possível mesmo que este povo tenha passado este tempo todo fazendo apenas isto?
A História que queremos contar é um pouco mais reflexiva do que descritiva, pois, de fato, seria enfadonha a enumeração de faraó por faraó, templo por templo, especialmente se desacompanhada de algumas perguntas. Qual o significado disto tudo? Por que esta história deveria nos interessar ainda hoje?
Poderíamos estudar os romanos, que construíram um império que, apesar de ter durado bem menos que o egípcio, foi muito mais importante para nós, ocidentais. Entretanto, não somos apenas ocidentais – antes disto, somos humanos. E o Antigo Egito foi a primeira grande civilização bem documentada.
O ser humano, acreditam os cientistas, surgiu na Terra entre 100 a 200 mil anos. Contudo, não temos registro quase nenhum deste período. E, mesmo que tivéssemos, ainda não seriam registros de civilizações. A primeira grande foi a egípcia. Como se, depois de dezenas de milênios de preparação, ali efetivamente começássemos a ser o que somos hoje.