O Antigo Egito compreende o período de cerca de 3 mil anos antes de Cristo até 30 a.C. Foi o período grandioso da história egípcia. Posteriormente, o território foi ocupado e dominado por gregos, romanos etc., tornando-se novamente independente há apenas poucas décadas. De modo que o Egito da era cristã não tem relação quase nenhuma com o Antigo Egito – assim como o Brasil atual quase não tem ligação com a era indígena, de antes da chegada dos portugueses.
A região do Egito não começou a ser ocupada apenas em 3 mil a.C. Portanto, podemos falar também de uma Pré-História Egípcia, embora pouco se saiba a respeito.
Pré-História do Egito
Se o homem surgiu no continente africano há quase 200 mil anos e daí se espalhou por outros continentes, teve de passar pelo território egípcio para efetuar esta marcha. Portanto, é de se supor que alguns grupos bastante pequenos se fixaram especialmente próximos ao Nilo muito precocemente na história humana. Efetivamente, existem vestígios de ocupação que remontam ao Paleolítico (Idade da Pedra Lascada). Um grupo maior, de caçadores e coletores, deveria perambular pelo território egípcio, que não era ainda deserto.
Foi apenas por volta de 10 mil a.C. que o homem começou a deixar de ser nômade, quando principiou a desenvolver a agricultura e a domesticar os animais (início do Período Neolítico). Não sendo ainda deserto o Egito, a ocupação do seu território era mais distribuída que atualmente. O aquecimento terrestre ocorrido nos milênios seguintes levou à desertificação progressiva e à paulatina migração da população para as margens do Nilo.
Por volta de 5 mil a.C. começou a surgir a primeira grande civilização humana, a dos sumérios, na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, uma região a cerca de 2 a 3 mil quilômetros do delta do Nilo – sendo possível, após alguns longos meses de caravana, o contato entre os povos. É importante este fato porque os sumérios desenvolveram os zigurates, enormes tempos cujas pirâmides escalonadas egípcias, feitas antes das pirâmides verdadeiras, se assemelhariam. Por outro lado, estes povos não tinham contato com os das Américas e, estranhamente, quase na mesma época dos egípcios, do outro lado do mundo também começaram a ser construídas grandes pirâmides.
Os sumérios também inventaram a escrita (cuneiforme), já valorizavam certas pedras belas e escassas, ornavam suas construções com mosaicos. Além disto, faziam estatuetas que representavam a si mesmos e eram deixadas nos templos, para que cumprissem suas obrigações religiosas enquanto trabalhavam – os egípcios deixariam estátuas nas tumbas por fins religiosos. Compreende-se então que os sumérios não são tão idolatrados e estudados quanto os antigos egípcios, apesar de terem vindo primeiro e serem os criadores de vários aspectos culturais que seriam adotados no Egito, pelo prosaico motivo de que há muito mais vestígios atualmente dos egípcios do que deles.
Enquanto a civilização suméria atingia seu apogeu, no território do extremo nordeste do continente africano dois importantes reinados também foram se constituindo, civilizações que hoje são chamadas de Baixo e Alto Egito. O Baixo ficava mais ao norte que o Alto – isto porque os nomes se referem ao Rio Nilo, que corre do sul para o norte. As fronteiras não eram bem estabelecidas: o Baixo Egito era menor, mas mais largo, triangular, pois compreendia especialmente o delta do Nilo, a partir de Mênfis; o Alto Egito era longo e estreito, se estendendo por toda a margem do rio, até que este aproximasse do delta.
O Baixo Egito era conhecido então como Ta-Mehu, “Terra do Papiro”, e era dividido em 20 regiões ou nomos. O Alto Egito era chamado de Ta Shemau, “Terra do Junco”, e tinha 22 nomos. O papiro seria utilizado como “papel” pelos egípcios; o junco cresce em áreas alagadiças e suas fibras são úteis para a produção de cestos, cadeiras etc.
Baixo e Alto Egito coexistiram por ao menos dois mil anos, até que um rei (possivelmente Narmer) unificou os dois territórios, por volta de 3150 a.C. (os mais antigos hieróglifos encontrados datam de aproximadamente 3200 a.C.). Começa aí a história do chamado Antigo Egito – que, no princípio, era chamado de “Duas Terras” (hieróglifo à direita).