O FUTURO DO EGITO

Exercícios de futurologia são tão idiotas, mesmo os que tentam prever um devir próximo, quanto inevitáveis.

Qual o futuro imediato do Egito?

Um ponto essencial, que não pode se esquecido por nenhum momento, é que se trata de um país de maioria muçulmana. E esta maioria irá faze valer seu tamanho. Sendo muçulmanos, os egípcios, em geral, não vêem os ocidentais com grande simpatia – e isto é um problema dos ocidentais, não dos egípcios… Mais importante para eles é que sua cultura é diferente. Assim, os conceitos ocidentais atuais de liberdade, igualdade, não são os mesmos nem serão aplicados no Egito. A tão mal-vista (e incompreendida) burca continuará a ser vista nas ruas da agitada Cairo.

Os militares continuarão no poder ou haverá eleição para presidente? A eleição é a melhor maneira de se evitar um conflito civil. Geraria algumas perdas aos que ocupam atualmente o poder. Mas pode ser a única saída – não para se evitar derramamento de mais sangue, mas para se evitar outro tipo de perdas: investimentos internacionais. Ou até para que não aconteça o que se passou na vizinha Líbia: ataques de uma coalisão internacional – aí sim, a morte passaria a ser uma preocupação: para os militares.

Ou seja, de uma maneira ou de outra, é possível que tenha de se chegar à democracia, no Egito. Aí os conflitos migrarão, em boa parte, da Praça Tahrir, para o Parlamento. Mas não cessaraõ. Mesmo em países de longa tradição democrática, como os Estados Unidos, os embates políticos são pesados. Em um país onde a democracia acaba de nascer, então, imagine-se quantas demandas reprimidas virão à tona… Jovens do Facebook e Twitter querendo maior tranquilidade de expressão, pequenos grupos feministas exigindo mais direitos para as mulheres etc.

O povo do Egito (e de outros países pobres ou ditatoriais) tem uma lição a aprender com o Brasil. O grande problema do cidadão não é a questão ditadura versus democracia. É a questão emprego e desenvolvimento versus fome e estagnação. O problema para os ditadores, entretanto, e disso eles sabem bem, é que uma economia liberal, progressista, irrefreável, fatalmente levaria à implosão da própria ditadura…

Ocidentais viram nos movimentos surgidos no Egito e em outros países da região a Primavera Árabe. Não deveriam ter tanta esperança de que este jardim floresça…

Mas não devem se preocupar muito – ainda poderão continuar a visitar o Egito. Os egípcios não são bobos e sabem que é fundamental continuar a explorar as ruínas do Antigo Egito.

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