O ISLAMISMO

O ocidental tem uma visão completamente distorcida do islamismo. Pensa que todos os homens são violentos e todas as mulheres são oprimidas. Isto é oposto da realidade. Claro, há homens radicalmente agressivos e mulheres que sofrem. Mas isto há no Ocidente também.

O mundo islâmico é, em muitas características, mais parecido com o ocidental do que imaginamos. Lembra o que o Brasil já foi até há algumas décadas: calcado na família e na religião. O crescimento populacional e das cidades, a pílula anti-concepcional e o divórcio, entre outros fatores menores, mudaram radicalmente nossa cultura. Pode ser que esteja começando a acontecer o mesmo no Egito atual (o que seria uma pena para o viajante, tanto de lá como de cá, que verdadeiramente ama a diversidade cultural). A taxa de divórcios, por exemplo, subiu muito nos últimos anos.

Até meados do século passado, as mulheres tinham muito poucos direitos, no Ocidente. Naquela época talvez não víssemos uma burca como um escândalo. Hoje, os ocidentais consideram-na um absurdo, um sinal de que se trata de um povo muito atrasado. Mas esta opinião nasce da ignorância sobre o que realmente significa a burca para a mulher que a utiliza. E, mesmo que fosse opressão pura, até que ponto (é uma pergunta) temos o direito de interferir, mesmo que apenas no nível de desejar que fosse diferente, em outra cultura?

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Certos dados podem ser surpreendentes para quem tem uma ideia de que os países árabes seguem à risca recomendações rígidas de comportamento. Como os resultados de uma pesquisa que revela o alto número de homossexuais com AIDS em países de forte presença árabe (detalhes aqui). Ou a crescente taxa de divórcio no país (uma egípcia, recentemente, pediu a separação porque o marido cozinhou e seus filhos disseram que a comida dele estava melhor – fonte).

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