Há quem queira conhecer o Egito atual, radicando-se especialmente na agitada capital Cairo. Contudo, o roteiro preferido pela maioria dos turistas é o que contempla o Egito Antigo. Assim, paradoxalmente, após vários dias visitando pirâmides, templos, vendo hieróglifos e escutando histórias sobre os deuses egípcios, o turista sai do país sem conhecer o Egito atual. Na correria do roteiro, não há prazo para um passeio prolongado pelo Cairo, fora de seu ponto turístico básico, o grande mercado.
Os amigos perguntam a quem foi ao Egito: como é? É lindo… Construções enormes, poderosas…
Mas a qual Egito foi este visitante? A um Egito que não existe mais. A um Egito que alguns querem preservar e estudar, mas que muitos querem apenas explorar. Os que vivem de turismo nos arredores das pirâmides dão a impressão que, se fosse permitido, venderiam cada pedra daquela por 1 dólar…
Embora conhecer de fato um país contemporâneo seja algo estupendo, ninguém é obrigado a querer conhecer o Egito atual. Porém, mesmo sem desejar, acaba conhecendo um pouquinho – afinal, o ônibus da agência de turismo circula pelo Cairo… Além disto, o turismo é pilar da economia egípcia e, portanto, ao travar contato com os onipresentes vendedores de papiros falsos, o turista está, inadvertidamente, conhecendo mais um pouco da vida real egípcia.
Dedicaremo-nos aqui especialmente ao turismo voltado ao Egito Antigo, embora falaremos um pouco também de aspectos atuais.